quinta-feira, janeiro 25, 2007

São tantas as letras, são tantas e todas chamam por mim. Parecem estrelas que piscam em SOS para ter a minha atenção, para eu me desfazer em vogais e sonhos, consoantes e realidade. Para fazer doces frases , e longos ditos morenos, sóbrios. Para as minhas mãos se inquietarem, depois de serem acordadas pelos sons conhecidos que me abrem a alma a meio e me fazem estremecer. Quebram-se os pesadelos, torço a minha agonia de paz e as vozes abrem caminho à guerra que estala nos meus olhos, na minha garganta, onde as letras se tornam tempestuosas, ansiosas até que as atire para o vazio do papel. Vejo-as deitadas, a olhar para mim, sem saber como se enredaram naquela coerência que me assusta, que não fui eu, digam-lhes que não fui eu, não sei como fazê-lo, não me peçam explicações, que eu não vou ser capaz de as dar.


quarta-feira, janeiro 10, 2007

Deixo a mala aberta no quarto, sem a desfazer. Vou aprendendo a viver assim, com malas que pesam metade de mim no meio do chão do quarto, em vários quartos, em várias cidades, tantas que quando acordo não sei onde estou e isso já não me preocupa.



Fico zangada, sim, mas, mais do que isso, fico triste, desiludida, amargada pelo desfecho tão previsível. Porque é que pedacinhos tão pequenos de algo tão grande me fazem sentir tão vencida, se não mudam o que sentes por mim? Porque mudam aquilo que sinto por ti. Porque estou cansada de histórias de fadas em que as madrinhas más ganham, mas recuso-me a não ser cinderela uma vez na vida. E se não há príncipes encantados, então morro sozinha, com os meu gatos, numa cadeira de baloiço a jogar playstation.









Se me assaltarem na rua direi: tenho duas libras na carteira e um telefone velhinho. Não tenho cartões e o meu passe expira amanhã. Não uso relógio nem tenho brincos de valor, nunca usei pulseiras. Tenho o coração partido, sem valor, e a vida amarrotada, o orgulho partido, a vaidade derrotada. Dou-vos de bom grado os pesadelos, a dor no peito e a tristeza que guardo aqui no bolso. Levem e o medo e roubem-me as lágrimas, assim não as uso mais. Mas deixeim-me o sal das mesmas para a vida me saber a algo.

Não consigo fazer mais que isto, já o disse uma vez, não consigo assassinar o português e a partir do momento em que ignorei a ausência do senhor do gabinete, ele voltou à carga, e só para me chatear dita-me 3 linhas de cada vez, e em textos que se sobrepõem nos meus ouvidos. Eu tento perguntar, encontrar o fio condutor, quero ser especialista nalguma coisa na minha vida. Mas não, toma estas letras (que seguro com uma mão), arquiva-me estas (que seguro com a outra) traz esse caixote de reticências (que empurro com um pé) e leva esta dossier ( que agarro com os dentes). Não te esqueças das interjeições e das metáforas, estão na segunda gaveta. Podes fechar as onomatopeias. Não as vou usar. E não penses sequer em usar a caneta porque achas que sabes escrever qualquer coisa. Não sabes nada.


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